quinta-feira, 31 de julho de 2014

Delírio de amor

Por que não consigo dizer,
Não consigo entender
O que se passa em meu próprio coração?
A razão num confronto insólito.

Teus lábios tão próximos,
Consolidam-se como meu eterno ópio,
Entorpecem minha alma,
Entregue na palma da tua mão.

A penumbra cobre teus traços,
Passo a delinear teu corpo nas sombras,
Enquanto teus olhos se destacam,
Aplacam – um par de diamantes que me sonda.

E sinto apenas tua respiração,
Declaração do diafragma a soar,
A voar, minha consciência vaga...

A essência do amor me faz delirar.


Jejels, 31/07/2014.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Fantasia em soneto

Meus olhos não me obedecem,
Os músculos não relaxam,
Lúdicos impulsos florescem.

Pensamentos turvos
Surgem vinculados a você
Enquanto não durmo.

Um querer profundo,
Porém, soturno,
Por saber de sua impossibilidade
Em meio à minha instabilidade.

Uma lembrança branda,
O que restou de nós,
Último suspiro que encanta,
Último lírio de pétalas brancas.


Jejels, 19/09/2012.

sábado, 26 de julho de 2014

Sábado de saudade

O frio sopra as árvores,
Mas não a saudade.
A saudade tem raízes pulsantes
E sangra sem cessar
A cada sol gelado,
A cada gota de suor,
A cada banho quente.


Jejels, 15/02/14.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Asas de fênix em nuvem

Um pássaro laranja corta o céu,
Um pássaro de fogo rasga o azul,
Desperta a vida do mausoléu,
Levanta liberto, livre, nu.

Um pássaro abre as asas em chamas,
A visão do renascer perante o pôr-do-sol,
O dia termina com um novo panorama.

Eis que abraço a visão chamuscada
Pois meu coração se identifica com a ave
E suas batidas pulsam em disparada
Ansiando alcançá-lo.

E salto em direção ao azul
Sem me preocupar em cair no abismo,
Agarrando-me à fênix de meu onirismo.

Jejels, 17/10/2012.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Saudosa

Que doloroso um coração quente,
Machuca seu pulsar,
Que em cada lugar encontre alguém para amar.

Uma família que cresce,
Como é doce nos enlaçarmos,
Como é feliz nosso riso,
Mas como dói o adeus da partida,
Como fere a ausência de pessoas tão queridas
Que em minha dificuldade, me suportaram
E em minhas conquistas, comemoraram,
Que seguraram minha mão no escuro,
Ensinando a encarar o novo,
Mostrando outro lado do que já era conhecido.

Que doloroso meu coração quente
Que se põe a chorar
Lágrimas de saudade
Pois já não posso mais ficar.

Momentos raros pude viver
E novos lugares conhecer,
Pessoas com quem aprender.

Que doloroso meu coração quente,
Pois a saudade machuca-me tanto...

Como é bom ter esse amor,
Como é difícil dizer adeus.

Que doloroso meu coração quente,
Mais uma vez aperta no peito...
Certamente dará um jeito
De transformar esse adeus em um 'até breve'.


Jejels, 02/03/14.

domingo, 6 de julho de 2014

Mais uma despedida

Queria que seu beijo de boa noite não tivesse pressa...
Queria que a noite fosse mais espessa.

Queria que sua presença doce permanecesse
Num tempo em que sua textura não mais se perdesse.

E que eu pudesse alcançar
- e só assim me acalmar -
Suas mãos, seus olhos, sua respiração...
Sentir meu o seu coração...


Jejels, 06/07/2014.

sábado, 5 de julho de 2014

Telepatia

Pensamento,
Um tempo
Sem lamento
Em que o vento
Sopra lento
E me contento
Por um momento
(ao menos tento).


Jejels, 02/07/2014.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Buraco negro

E se busco ao redor e o que vejo é podridão? Um erro propagado que quase não se pode mais consertar. Alienação que se espalha como pandemia - um vírus sem rosto. Almas perdidas em um mundo virtual que não lhes dá dignidade. Um mundo em que a verdade se esconde por debaixo de infinitas camadas, como as pessoas se escondem com suas mil armaduras de ego. Não há mais humanos. Não. São engrenagens propagadoras do mesmo vírus que desconhecem. E cada vez mais eficientes em dar continuidade à máquina de infelicidade. As pessoas já não reconhecem seus irmãos. São isoladas, refugiam-se na solidão, pois a opressão é tão grande que toma-lhes o tempo e a sanidade...tornamo-nos escravos. Usamo-nos uns aos outros como objetos descartáveis. Mostramos máscaras, perdemos nossa identidade. Não há mais essência! Mostro uma fachada ao outro, uma ideia, uma imagem na vitrine. E por ser assim, não confiamos mais em ninguém. Não ouso mostrar minha verdadeira face. E com o tempo, nem me lembro mais de como ela é.
Falam de amor, mas morrem no egoísmo, pois esperam por um serviço, não por um relacionamento. Veem-se as partes, mas não o todo, e ao sinal do primeiro problema, jogamos tudo no lixo. Jogamos e somos jogados. E todos sofrem ao seu modo, mas estão todos tão centrados em sua própria dor, que são incapazes de olhar ao redor e pensar que juntos poderíamos dizer um basta e pôr um fim a essa loucura.
Olho ao redor e me vejo cercada de pessoas vazias. E tremo de medo ao me olhar no espelho e perceber em mim igual vácuo escabroso...


Jejels, 02/07/2014.