sexta-feira, 27 de março de 2015

I'm so sick of this

O ruído da porta é como o raio do amanhecer aos bêbados - tira-lhes a memória. E todo o calor que outrora havia, congela-se como num passe de mágica. Como se fosse fisicamente possível. 
O ruído da porta o fez atirar-me para longe como um criminoso se livra do revólver ao ser apanhado na cena do crime.
O ruído da porta já é insuportável, talvez como acordar depois de um sonho para perceber que a realidade amarga e terrível jamais se findaria - foi tudo apenas um sonho.
O ruído da porta me assombra desta vez, pois não posso mais suportar viver assim. Não suporto mais viver de migalhas. Migalhas de tempo, migalhas de carinho, migalhas de espaço, migalhas de contato real. E talvez por muito mais tempo, seja apenas isso e nada mais. Seja ser atirada para longe ao ruído da porta; ser mandada embora antes da hora de dormir; ser obrigada a deixar o sonho em sua melhor parte, como se nada tivesse acontecido.
Assim como aos bêbados é o raiar da manhã, o ruído da porta faz-me sublimar de sua memória. E resta a mim a única coisa que realmente esteve presente - a repressão.


Jejels, 04/02/2015.

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