segunda-feira, 30 de março de 2015

A sala em monotonia

O teto é branco e com ranhuras,
Mas em linhas retas se emoldura
E tem seu padrão interrompido
Apenas pelas luminárias duras.

Monótonos retângulos
Como as quatro paredes que me cercam,
A solidão interna em preâmbulo
É o silêncio das palavras que não mais reverberam.

Pois a grave voz que coloria
Torna tudo insosso quando se ausencia,
E tudo que resta é o teto branco com ranhuras
- Tédio, vazio, silêncio, amargura.


Jejels, 26/03/2015.

sábado, 28 de março de 2015

Restless Heart Syndrome


I've got a really bad disease
It's got me begging on my hands and knees
So, take me to emergency
Cause something seems to be missing
Somebody take the pain away
It's like an ulcer bleeding in my brain
So send me to the pharmacy so I can lose my memory

I'm elated, medicated
Lord knows I tried to find a way to run away

I think they found another cure
For broken hearts and feeling insecure
You'd be surprised what I endure
What makes you feel so self-assured

I need to find a place to hide
You never know what could be waiting outside
The accidents that you could find
It's like some kind of suicide

So what ails you, is what impales you
I feel like I've been crucified to be satisfied

I'm a victim of my symptom
I am my own worst enemy
You're a victim of your symptom
You are your own worst enemy
Know your enemy

I'm elated, medicated
I am my own worst enemy
So what ails you is what impales you
You are your own worst enemy.



Green Day.

sexta-feira, 27 de março de 2015

I'm so sick of this

O ruído da porta é como o raio do amanhecer aos bêbados - tira-lhes a memória. E todo o calor que outrora havia, congela-se como num passe de mágica. Como se fosse fisicamente possível. 
O ruído da porta o fez atirar-me para longe como um criminoso se livra do revólver ao ser apanhado na cena do crime.
O ruído da porta já é insuportável, talvez como acordar depois de um sonho para perceber que a realidade amarga e terrível jamais se findaria - foi tudo apenas um sonho.
O ruído da porta me assombra desta vez, pois não posso mais suportar viver assim. Não suporto mais viver de migalhas. Migalhas de tempo, migalhas de carinho, migalhas de espaço, migalhas de contato real. E talvez por muito mais tempo, seja apenas isso e nada mais. Seja ser atirada para longe ao ruído da porta; ser mandada embora antes da hora de dormir; ser obrigada a deixar o sonho em sua melhor parte, como se nada tivesse acontecido.
Assim como aos bêbados é o raiar da manhã, o ruído da porta faz-me sublimar de sua memória. E resta a mim a única coisa que realmente esteve presente - a repressão.


Jejels, 04/02/2015.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A cadeira vazia

Vazio choroso,
Choque de realidade
Tal como a claridade
A cegar meus olhos.

Ausência inesperada,
Sublimação do conto de fadas,
Apenas minha imaginação
Desintegrando-se na rotina desgastada.


Jejels, 26/03/2015.

À distância

O amanhã já parece distante 
Como o topo do monte Everest,
As horas multiplicam-se dançantes,
Zilhões de grãos de poeira celeste.

Será isso o que somos
- poeira ao vento?
O que a ciência significa enfim
Quando é incontável o maremoto de emoções
Dos universos de onde vim
- infinitos universos
Habitando um par de corações?

É tão imensurável infinito,
Este das horas que nos separam,
Que é minha pequenez o que sinto
Perante a imensidão a que me comparo.

E o que dizer então
Da distância do que sinto que deveríamos ser;
Em minha cabeça, essa distorção
Que me faz enlouquecer.

É o infinito mais vasto
Este do amor que sinto.
Sei que da perfeição muito me afasto,
Mas é imperfeito e infinito.


Jejels, 24/01/2015.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Chuva de outubro

Uma noite fresca de outubro,
A tranquilidade se esgueira pela janela
Com a sinfonia de folhas de tom rubro
A parecer pintura de tão bela.

Como a chuva veio refrescar a intensa seca,
Teu semblante reanima meu desidratado coração,
Enche o ar qual som de trombeta,
Reanima minh'alma, traz fôlego ao pulmão.

Numa noite fresca de outubro,
Sinto os pingos de chuva a nos molhar,
Fecho os olhos e então me cubro
Com nosso amor a se renovar.


Jejels, 27/10/2014.

terça-feira, 24 de março de 2015

Notáveis dentes

Como lascas de gelo transparente,
Espinhos na rosa pendentes,
Marmóreas, marcantes, como dos vampiros atraentes,
Pontiagudas presas sorriem à minha frente.


Jejels, 19/03/2015.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O sonho personalizado

Apareceu como no sonho,
Madeixas loiras emoldurando seu sorriso,
Na conversa, teatros e livros,
O lirismo, de repente, retornando.

"Desmotivado", ele disse,
Assim como eu estava ontem,
Mas meus sonhos revolvem,
Trazem de volta aquela alegria.

E novamente fui resgatada
Por sonhos e fantasias, 
Livros, melodias,
Príncipe misterioso na manhã acinzentada.


Jejels, 18/03/2015.