quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Olhos de chuva e sol

Braços que se entrelaçam à beira do abismo:
Um abraço pode ser mais que isso,
Duas pessoas dividindo o mesmo sorriso
No chuvisco de uma manhã melancólica.


Não há palavra certa ou errada
Para curar a dor de uma história terminada.
Nem açúcar, nem álcool, morfina, formol...
Mas talvez reconforte tal inércia calada.


Olhos de chuva encontram olhos de sol.



Jejels, 29/10/2015.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Dear Time

Dear Time,
I swear tonight will be the last time
That I will bother you to ask
To stop or make my day last.


Dear Time,
I know he's not and will never be mine,
But please hear my wish tonight
Let his embrace still hold me tight.


Dear Time,
I can't forget the colours of his eyes
Looking at mine softly
His look is still so lovely.


Dear Time,
I promise I'll be fine (or at least, I'll try),
But let me keep this moment
His kiss should last a little longer.


Dear Time,
I know some day you'll pass us by
And all of this will be a memory,
But please, have you got no mercy?


Dear Time,
I'll make all this a song
So once it's over and he's gone
I'll still listen to his eyes,
Those pretty sunshine eyes
And his heartbeats,
His smile and fingerprints

Whispering for me this lullaby...
'Cause I know someday
There will be no other way
But to say goodbye.




Jejels, 26/10/2015.

domingo, 25 de outubro de 2015

Esta noite

Eu que tinha tantas palavras,
Que tantos versos rimava,
Tive a boca e dedos secos esta noite.

Eu que tanto pensava,
Que tanto controlava,
Tive a mente vazia e entorpecida à tua fronte.

Eu que tanto chorava,
Que tantas lamentações cantava,
Tive no rosto um sorriso bobo e insone.


Jejels, 25/10/2015.

sábado, 24 de outubro de 2015

Transe

Hipnose.
A mente vaga em círculos,
Tontura e delírio,
Coração metamorfose.


Respiro tão perto,
Destino incerto
Direto dos teus lábios
Palpitar monossilábico.


Expande-se o azul
E suga-me o centro negro,
Da tua mente, o centro
Absorve o âmago nu.


Sem mais segredos,
Entregue ao medo,
Mergulho no momento,
Na embriaguez do beijo.



Jejels, 23/10/2015.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Do pressentimento

Em uma tarde quente,
Diferente brisa refrescava
Enquanto descansava na grama
Olhar contente.

E a profecia fora ditada,
Virada sorte em forma de cílio;
Um brilho acendera no coração,
Nos olhos queimou a paixão.

Já não era sonho, afinal,
Recompensa de anos a fio,
Felicidade sem igual
-tudo isso em um pequeno cílio
Que teu dedo deixou ao meu.


Jejels, 18/10/2015.

Entrelinhas

E para quebrar o gelo,
Uma brincadeira diferente:
Diga o que vier à mente.


Memória.
Amigo.
História.
Perigo.


Verde.
Laço.
Parede.
Abraço.


Música.
Medo.
Súplica.
Segredo.


Surpresa.
Espontâneo.
Leveza.
Momentâneo.


Sem.
Teu.
Óculos.
Um.
Ósculo.



Jejels, 23/10/2015.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Devaneio sobre o vazio

Tudo o que vejo
Pode não ser o que parece.
Cresce e expande à frente
Diferente visão de mundo.

Porque os olhos enganam,
Aprisionam imagens codificadas,
Padronizadas ideias de realidade
-apenas luz através de lentes humanas.

Mas a essência vai além do que se capta,
A compacta figura que se vê,
Decompõe-se em partícula o ser,
Misteriosa eletrosfera circunda.

E imenso é o vazio em sua composição,
Enganado tolo coração
Que sente o abraço reconfortante
Mesmo que os braços estejam eternamente distantes.


Jejels, 21/10/2015.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Scar Tissue



Scar tissue that I wished you saw
Sarcastic mister know it all
Close your eyes and I'll kiss you 'cause
With the birds I'll share

With the birds I'll share
This lonely view
With the birds I'll share
This lonely view

Push me up against the wall
Young Kentucky Girl in a push-up bra
Fallin' all over myself
To lick your heart and taste you health 'cause
With the birds I'll share
This lonely view

With the birds I'll share
This lonely view
With the birds I'll share
This lonely view

Blood loss in a bathroom stall
Southern girl with a scarlet drawl
Wave good-bye to ma and pa 'cause
With the birds I'll share
With the birds I'll share
This lonely view
With the birds I'll share
This lonely view

Soft spoken with a broken jaw
Step outside but not to brawl
Autumn's sweet we call it fall
I'll make it to the moon even if I have to crawl and
With the birds I'll share
This lonely view...

Scar tissue that I wished you saw
Sarcastic mister know it all
Close your eyes and I'll kiss you 'cause
With the birds I'll share
With the birds I'll share
This lonely view
With the birds I'll share
This lonely view




Red Hot Chili Peppers

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.




Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amarguras da vida

Seria a sina,
Ironia do destino,
Sino que anuncia a despedida
Toda vez que nos reencontramos?

Jejels, 19/10/2015.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Iluminado

Nesse momento ímpar do dia,
A luz que cintila ao longe
No horizonte, colorida
Toca os olhos, colore a alma.

Faz lembrar a finitude,
Faz valorizar cada segundo
Como se o mundo fosse ao chão,
O último pulso do coração.

Em tons quentes e vivos,
Rasgando o céu, incisivo,
O sol se desmancha num espaço breve,
Num leve suspirar de esplendor.

Glorioso fim
Ou magnífico início.
Este é o ciclo
Que rege o universo.

Uma moldura transitória,
Em constante metamorfose
Chora uma nuvem distante
Antes de se dissipar no céu.

E resta o azul novamente,
Displicente sentimento de abandono,
Mas em contraste ao inevitável sono,
Há a esperança de um novo dia reluzente.



Jejels, 13/10/2015.