segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Trinta de novembro

Esqueceste-te de mim?
O trigésimo dia do mês já corre pelo tempo,
Como o dente-de-leão soprado ao vento,
Inicia-se esperançoso, mas não retorna ao jardim.
 
Por ti, as horas sangram pela boca das estrelas
Mancham a noite de ansiedade e angústia;
Por ti, minha alma revolve e rasteja
Ao chão, rubras pétalas despedaçadas de fúcsia.
 
Alucinações sobre morte e repressão,
O tão liberto mês chega ao final
Incríveis palavras e momentos em meu coração
Misturam-se em medo e confusão mental.

Posto que a magia parece chegar ao fim,
Eu-Lua relembro-me de minha escuridão
- Que do Sol, apenas reflito a luz em suspensão;
Que sem teus olhos, minha alma já não sorri.
 

Jejels, 30/11/2015.

A Figueira

Em tua sombra, repouso em paz
Livre de tormentos, tempestuosos pensamentos,
Auto crítica mordaz...
Livre de todo desalento.

Ao contrário, sinto-me abraçada
Pelas largas folhas da Figueira,
Impedem-me de pelo sol extenuante ser alçada
E na chuva, abrasa meu coração qual fogueira.

É meu refúgio das tempestades interiores,
Minha terapia em forma de flores ocultas
Cuja polinização em simbiose resulta
Em sementes vivas e sem pudores.

Grandiosa espalhando-se no espaço,
Árvore de frágeis ramos e cultivada em sol pleno,
É capaz de tornar meu espírito sereno
Tornando-se lar como amplo abraço.


Jejels, 29/11/2015.

domingo, 29 de novembro de 2015

Say something



Say something I'm giving up on you
I'll be the one if you want me to
Anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you

And I
Am feeling so small
It was over my head
I know nothing at all

And I
Will stumble and fall
I'm still learning to love
Just starting to crawl

Say something I'm giving up on you
I'm sorry that I couldn't get to you
Anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you

And I
Will swallow my pride
You're the one that I love
And I'm saying goodbye

Say something I'm giving up on you
And I'm sorry that I couldn't get to you
And anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you

Say something I'm giving up on you
Say something...




A Great Big World / Christina Aguilera.

Cumprimentando-te em soneto

Com a cabeça cheia de tudo e nada,
Pensamentos ilógicos e sonolentos
Sobre sonhos e contos de fadas,
Ilusões e desentendimentos.

Assim acordo em mais uma manhã de domingo.
Sorrindo de leve ao recordar um detalhe
- o que vale, afinal, é ter vivido.

E lembro-me das palavras que um dia me disseste
Sobre maneiras de dizer bom dia.
E com uma fagulha de alegria
Decidi escrever a memória celeste.

E envio esses versos como minha saudação
De boas vindas a esse novo dia.
Que teu sorriso floresça cada vez com mais energia.


Jejels, 29/11/2015.

sábado, 28 de novembro de 2015

Céu avermelhado

O céu é tudo que nos circunda,
Profunda abóbada que nos abraça,
Enlaça teus olhos os meus
No apogeu da noite em graça.

Nas nuvens, a lua se esconde,
Tua fronte próxima, tuas mãos em minha cintura
A loucura aflora construindo uma ponte
Entre céu e terra, atravessando o horizonte.

E assim, tu me levas a esse lugar especial,
Espacial, etéreo, não resta nada ruim.
Aos confins da Terra teus olhos me levam...
Nos encerram na nuvem de teu peito num momento sem fim.


Jejels, 22/11/2015.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Paralelo

Estou queimando por dentro
Em convulsões de fogo e paixão
Confissão do coração em combustão
Perdendo noção do centro.

Tudo se revira mais uma vez
Mil palavras e imagens se confundem,
Iludem e aturdem a nuvem
Dissipando meu paraíso com rispidez.
 
Interferência dos (não tão) antigos fantasmas
Que em busca de felicidade enclausurei,
Censurei e despertei quando esperei
Que fosse feliz ao libertar a alma.

E espero na noite em turbulência
Pelos olhos que me inspiram
- inspiram e expiram, reviram
Do amor a essência...em perfeita fluência.
 
 
Jejels, 25/11/2015.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mudança

Teu olhar como um poço escuro
Onde caem as palavras e não ouço o barulho.
- profundo.

É uma conjunção de anéis concêntricos
Orbitando ao redor de tua pupila aguçada
Qual poeira cósmica estrelada
Ao redor de Saturno.

É uma aquarela hipnótica,
Expressiva janela gótica,
Vitrais da catedral.

É a ordem que me mantém em órbita,
Afirmação mística e exótica
A estimular os instintos.

É a essência da plenitude,
A serenidade amiúde,
Um sonho de felicidade.

E com tudo isso, esvai-se pronto
Estabelecendo interno confronto
De minha alma em abstinência...
Crescente demência,
Latente...
Absorto...



Jejels, setembro 2015.

Fantasia de uma noite chuvosa

Na penumbra do quarto desconhecido,
Coloridos papéis descansavam sobre a cama
- Panorama misterioso em minha mente contido.
 
Sentado à beira do leito,
Com o peito nu e aberto, alvo menino
Com divino feitio constrói com o papel
Um pássaro perfeito.
 
Tsuru para boa sorte
- para que da morte possa escapar;
Um papagaio em seguida
Para que repetidas vezes a verdade possa falar.
 
E numa andorinha, a luz de seus olhos
Em pequenina ave deposita com carinho
Como ninho de afeição morno e sólido.
 
Mas um sorriso lhe cobre a face
Quando nasce do papel gracioso colibri
Que em frenesi e velocidade, asas e coração bate
E rebate em alegria que o faz rir.

Tinha o menino, nas mãos, pássaros em arranjo.
Seus longos cabelos à brisa; nos olhos, o sol guardado.
Menino alado... um anjo a dobrar pássaros.

Jejels, 21/11/2015.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Boz

"Nunca feche seus lábios para aqueles a quem você já abriu seu coração."
 
 
Charles Dickens

De um dia cinzento

Algumas palavras sem sentido ou motivo vindas de substâncias irritantes para alguém cativante que mora nas nuvens. Mas o que são palavras se não letras rabiscadas em um pedaço de papel? Algo tão simples e corriqueiro, beiro o ridículo ou o inútil, posto que qualquer chuvisco ou vento poderia de súbito, levar essas vacilantes palavras para longe de seu destinatário. E quão hilário ou melancólico seriam os rabiscos e garranchos se desmanchando em sílabas, e por fim, apenas letras, papel rasgado e a tinta já sem sentido da caneta que em meus dedos esteve quando escrevi pensando em tudo e em nada... ou talvez nos olhos dele.


Jejels, 18/11/2015.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Um brinde ao presente

Olhar tinto.
Sol e céu nele estampados,
Enlaçados numa visão hipnótica,
Lógica da paixão desperta em mim.

Toque suave,
A delicadeza do momento aflora.
Afora nós, nada importa,
A porta se fecha a todo entorno.

Beijo leve,
Que entorpece todos os sentidos,
Aflitos pensamentos distancia
E vicia, com uma dose de esquecimento.


Jejels, 25/10/2015.


Soneto da íris-sol

Mesmo com o céu nublado
E tanta névoa de futuro e passado,
O sol continuava radiante
E não mais tão distante.

Por um momento breve,
Sutil suspiro da alma,
A calma de tal instante leve
Como as nuvens que encobriam o céu.

Mas nesse dia, havia encolhido
E um par de olhos escolhido
O sol para habitar.

E assim, pude ver tão perto
Um por-do-sol secreto
Nas ondas hipnóticas do teu olhar.



Jejels, 21/10/2015.

~Postado em 17 de novembro ao menino dos olhos azuis que hoje completa 20 primaveras.

domingo, 15 de novembro de 2015

A Dança/ Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho..



Pablo Neruda em Cem Sonetos de Amor. Porto Alegre: L&PM, 2006.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Down on the floor

Inspirar e expirar.
Parecia uma tarefa fácil.
Mas no cheiro, nos olhos, no tátil,
Ficou por conta do SNA.


Jejels, 09/11/2015.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

What does he taste like?

He tastes like smiles
And adventure.
He tastes like joy
And passion.
That's what he tastes like.


Jejels, 08/11/2015.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



Mário Quintana.

In memory of the amazing november 8th.

domingo, 8 de novembro de 2015

Duplo céu

As nuvens figuram em claro azul,
Do Sul ao Norte perduram
No infinito que se abre límpido,
Tornando ínfimo meu pesar.

Os espelhos são gêmeos,
Extensos e cheios de conselhos
Que se ditam em silêncio
Enquanto penso em nada mais.

E os astros radiantes encantam
E implantam em meu coração
Paixão e arritmia de instante
- a consciência vaga distante.

Divindade se faz presente,
Incrível poder sobre a mente
Tornando intensa a tontura
Perante tal ternura angelical.

Talvez esteja mesmo morrendo
Incrédula, com as mãos tremendo
E nos lábios, um sorriso
De quem percebe ter chegado ao paraíso.


Jejels, 01/11/2015.

O que dizer das madrugadas?

Que as tuas palavras preenchem como estrelas,
Centelhas que fazem brilhar meus olhos.
E sinto como se estivéssemos juntos
Num mundo tão distante do real.

E posso imaginar teu sorriso tão perto,
Um liberto sentimento de felicidade me envolve.

E nesse abraço tão suave e terno,
Fraterno sentimento invade meu peito
Com a paz que dos teus olhos transborda
Recorda-me da textura e sabor que as nuvens devem ter.

E na doce nuvem de tua etérea presença,
A diferença entre os tons de azul se dissolve
E me envolve ao fechar os olhos em sono e serenidade
A felicidade de adormecer nos imaginários braços teus.


Jejels, 08/11/2015.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Madrugada musical

Palavras e acordes
Em intercâmbio,
Dinâmico ritmo,
A noite sacode.

Tolices escritas
Na embriaguez da noite
De sentimentos inconstantes
Em coração que crepita.

E vencida pelas canções
E pela conversa que vai e vem,
A insônia se dissolve
Como o sol a se esconder abaixo do chão.


Jejels, 10/10/2015.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Metafísica

Te toco mesmo sem te tocar
Pelos espaços vazios de tua composição
Em constelação no céu escuro e azul da noite.


Te toco mesmo sem te tocar
Com palavras invisíveis que escrevo
Em relevo alcançam tua pele alva em arrepios.


Te toco mesmo sem te tocar
Através do som que propaga as canções
Em corações entrelaça os sentimentos que saem da minha boca.


E me tocas, mesmo sem me tocares
Com gestos abstratos a cada dia
E a alegria que semeias em meu rosto cansado.



Jejels, 04/11/2015.