domingo, 30 de outubro de 2016

Recite

Às vezes não sei o que dizer
Os dias parecem incompletos
Não consigo esquecer
A inspiração dos meus versos.

Talvez Santiago pareça incrível
Para loucas aventuras em um plano infalível...
Mas posso dizer com certeza que essa cidade
Só alimenta cada vez mais minha saudade.


Jejels, 30/10/2016.

domingo, 23 de outubro de 2016

Embalo da chuva

Chove, chuva
Nesta tarde, cobre
A grama e meus olhos de frescor.
A cor que pinta os dias
É mutante, vibra,
E com ele, são todas cores de amor.

Chove, chuva
Tão tranquila, morna e limpa,
Apraz os meus ouvidos e assim me nina.
Em dois braços, forma-se o colo, coração a palpitar
Vermelho, azul Marinho, Lima...
Sutis e fluidas cores para um par.

Chove, chuva
Em meu sonho, testemunha
Um olhar que me vela, sonhador.
Um par de sóis brilhantes que me iluminam
Com a serenidade desse arco-íris de luz e cor.


Jejels, 10/03/2016.

sábado, 22 de outubro de 2016

Fisiologia

Cor e som penetram e inquietam
O palpitar por olhos e ouvidos.
Fazem parte de estar vivo
Pressões, balanços, mudanças,
Tempestades – e não apenas bonança.

E embora o caminhar seja voluntário,
É indiferente à minha vontade o pulso
Saltitante, indomável,
Autoexcitável máquina cardíaca,
Idílica ditadora de fluxo.

E transparecem em minha face
Medo, admiração, desgaste,
Comunicando sem palavra ou ruído
O que sinto, não sendo preciso frequência,
Mas apenas um pouco de paciência
Para perceber o coração em rebuliço.


Jejels, 30/10/2015.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Soneto do meu sentido

Ainda sinto nos lábios
O gosto do teu beijo cálido.
Com o aroma que só a ti pertence.
Com o hipnótico olhar que tudo vence.

Ainda sinto nos lábios
A tua presença morna
Que o vento sopra e retorna.

Ainda sinto nos lábios
Nossos sussurros vários
Que enchem meu coração e meus ouvidos
De esperança, de amor, de sentido.

Pois o que ainda sinto nos lábios
É o que mantém meu pulsar descompassado...
Teu amor: meu futuro, meu presente, nosso laço.


Jejels, 25/07/2016.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cores de Outubro

Estúpido amante,
Coração errante
A explodir versos, sorrisos,
Origamis, suspiros,
Surpresas coloridas
Num olhar cheio de vida
Que brilhava até nos dias escuros,
Transformava muros
Em nuvens suaves e delicadas
Com as quais hoje sonho acordada.


Jejels, 18/10/2016.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Houve

Houve um dia em que vestíamos a paz
e naquele lugar irradiou o amor absoluto
não havia a posse e não tinha a culpa
por lá o respeito brotava pelo chão.

Houve um tempo em que o tudo era quase nada
e na simplicidade construímos várias riquezas
os sorrisos eram livres e os abraços espontâneos
um corpo ia ao outro sem olhar as diferenças.

Houve um sonho onde tudo era como foi descrito
a música sempre livre como toda arte e sentimentos
não havia fronteiras o espaço ao lado era meu e era seu
o tudo não importava, pois o que bastava era o fazer, o compartilhar, o amar.


Igor Melo em <http://igormelofisi.blogspot.cl/>

domingo, 16 de outubro de 2016

Irene



Saudade, eu te matei de fome
E tarde, eu te enterrei com a mágoa
Se hoje eu já não sei teu nome
Teu rosto nunca me deu trégua

Milagre seria não ver
No amor, essa flor perene
Que brota na lua negra
Que seca, mas nunca morre

Verdade, eu te cerquei de longe
E tarde, eu encostei no medo
Se ontem eu cantei teu nome
O eco já não morre cedo

Milagre seria não ter
O amor, essa rima breve
Que o brilho da lua cheia
Acorda de um sono leve

Irene
Irene ri.


Rodrigo Aramante.

sábado, 15 de outubro de 2016

Morangos sem chocolate

Lábios doces de morango
Deixam por fim um sabor estranho
Um pouco amargo, na verdade...
É o gosto recorrente da saudade.


Jejels, 13/10/2015.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Suspiro aéreo

Da janela vejo as nuvens
Nossas memórias surgem
Tão alto, tão longe...
Mas sei onde te encontrar.

Ao fechar os olhos, posso sentir,
Ouvir, cheirar, tocar, reviver
Teus olhos cheios de sol e de luz,
Um rol de ti que me seduz.

E nas nuvens brancas, te imagino
Como nos brancos lençóis de aventura
Em tua cumplicidade, tua ternura.

E um suspiro escapa-me pelos lábios
Ao viajar com minha imaginação
Ao encontro do teu coração.


Jejels, 03/10/2016.

sábado, 1 de outubro de 2016

Primeiro de Outubro

Acordo de manhã pensando em que horas fostes dormir. Procuro por um boa noite ausente e imagino um semblante tranquilo a dormir. O dia longo arrastou-se o quanto pôde, absorvendo minhas energias a ritmo rápido e crescente. Uns chocolates para não baixar tanto os ânimos, uma música pra ocupar a cabeça. 
É primeiro de Outubro e o sol parece tão preguiçoso para levantar quanto eu. Mas os dois teremos que subir hora ou outra. Tomo mais um café da manhã sozinha e até a geleia lembra o teu sorriso. Um sorriso que tanto amo, no qual penso todos os dias. Volto à cama e não há sinal dos teus olhos. Talvez eles estejam descansando em uma branca nuvem do céu, confortável e com textura de uma consciência tranquila de dever cumprido. Depois de uns bons sorrisos e conversas com agradáveis companhias, imagino teus cabelos macios e escuros. Imagino o quanto tenham crescido nos útlimos dias e como seria enrolá-los em meus dedos mais uma vez. Imagino o formado em que teus lábios se abrem em um sorriso, o quanto teus dentes aparecem a quem os vê... e desejo ser esses olhos com a sorte de receber essa imagem. 
Mais um dia me chama a sair. Caminharemos pelo caminho mais curto por causa do atraso. E logo estarei imaginando se você já acordou porque são 12h12... mas ainda sem nenhuma certeza.


Jejels, 01/10/2016.