sábado, 21 de outubro de 2017

Relembrando

Surgiu de um sol poente,
Um irresponsável adolescente
E um poema idílico.

Emergiu da timidez,
De olhos brilhantes fitando a tez
Da garota maravilhada.

Flutuou sobre as nuvens vaporosas,
As palavras ternas apesar de nervosas,
Colorindo aquele entardecer.

Brotou no peito de pronto,
Conexão ligando os pontos
Entre aqueles dois corações.

Floresceu do palpitar incerto,
De um sentimento inquieto
Que já não podia mais se esconder.

E sucedeu que os lábios apaixonados
Selaram união à luz daquele ocaso
Num primeiro enlace de amor declarado.


Jejels, outubro 2017.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O coração que ama

"O coração que ama
É estúpido e insensato,
Mesmo com maus tratos
Resiste em sua chama.
O coração que ama
Insiste mesmo sem razão,
E mesmo na mais bruta desilusão
Recolhe seus pedaços da lama.
O coração que ama
Está fadado ao sofrimento
À desventura e ao desalento
Pela voz que já não o chama.
O coração que ama...
É o coração que por ti clama
Pateticamente em vão
Na solitude de seu quarto imerso em escuridão."

Jejels, 18/06/2017.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Cura

Seria amor
Essa necessidade pulsante,
Ansiedade constante
Por sentir teu abraço
Num laço que me acalma
Amenizando toda a dor
Do pranto de minh'alma?


Jejels, 29/04/2017.



terça-feira, 30 de maio de 2017

Do "Poesia-me"

Você poderia ter ido embora,
mas escolheu ficar.
Esperou o meu
mau humor passar,
aguentou minhas crises
e abraçou o meu caos.
E eu, sou muito grata
por ter você.
Mesmo sabendo o quanto
seria difícil, você escolheu
fazer parte de tudo.
Obrigada por ser quem você é,
e por não me abandonar por ser
quem eu sou, mas sim, me mostrar
que eu posso ser alguém melhor.
Você ficou e eu torço que continue
ficando todo o dia um pouco mais.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Angel of Love

Once there was this girl
Who's been brokenhearted,
But an angel looked her way
And stared deep into her eyes.
Her carried, he healed her
And lifted her to the sky,
Made her eyes shine so bright...

Once there was this girl
Who dreamed with true love.
When the pain came to an end,
She found it in October's rain.
When the sun set in the horizon,
A kiss emerged from it's shadow.
A transcendent destiny opened in her heart,
For love was there no matter what.


Jejels, 29/04/2017.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

O salto do peixe beta

O peixe beta
De seu aquário transparente
Espia ansiosamente
A janela aberta.

Aquário prisão,
Mas ainda salvação
Da morte em quatro horas
Caso saltasse para o lado de fora.

Chora o peixe beta
Um choro amargo
Sonhando em ser pássaro,
Sabendo da morte incerta.

E pensa se seriam suas lágrimas
A razão da amargura
De sua água já escura,
Tristeza tão íntima.

Cansou-se de apenas sonhar
E decidiu por fim, saltar...
Como asas não tinha,
Caiu à beira da escrivaninha.

E por lá ficou, de olhos fechados
Duas horas de arrependimento,
Duas horas de cansaço
Murmurando seu tormento.

Mas em seus últimos minutos delirantes,
Viu à janela um pássaro radiante
E seu coração já quase desfalecido
Bateu feliz uma última vez pelo sonho dormido.



Jejels, 28/04/2017.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Do esmorecimento de cada dia (que contagia meu coração)

As palavras que nascem em meu peito e escorrem pelos dedos são solitárias e cansadas. Dia após dia, as horas e compromissos parecem se repetir e o tempo esmaga meus desejos coloridos e cheios de vida. Ao fim do dia, tudo parece se resumir à mesma pilha de acontecimentos cinzentos e monótonos e pesa sobre minha cabeça tudo aquilo que quis ser, mas não foi. Os momentos em que subo à superfície para ver a magia das estrelas e a alegria de um sorriso espontâneo tornam-se escassos e cada vez mais longe do que seria o mínimo suficiente. Ao chegar com as costas tensas de carregar as responsabilidades do dia-a-dia, falta a única coisa que me faria realmente respirar e conseguir aliviar o cansaço e a dor. Falta a única coisa que finalmente acreditei que teria. Falta a única coisa que cessaria a decepção e o desânimo que me perseguem a cada noite...
Mas ninguém entenderia.



Jejels, 26/04/2017.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Fadiga

Ondas azuis que transpiram
De movimentos cansados e descendentes
Energia que desvanesce, e suspiram
Meus olhos descrentes e opacos.

Impacto dos dias que se amontoam,
Maciços golpes de rotina,
Voam semanas em tempo despedaçado,
Solitário suspiro descompassado.

As ternas lembranças da paixão
Tornar-se-hão apenas pensamento;
O fio de esperança no presente lamento,
Suporta meu corpo já sem intento.


Jejels, 26/04/2017.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Um texto diferente

E aos poucos, o que já era efêmero, foi se esvaindo. O feixe de fumaça branca que sonhava ser desenho no ar, se extinguiu. O interesse foi se desgastando, conferindo a qualidade, novamente, de desconhecido a algo que queria ser descoberto. O agito de contatar algo novo foi tomado pelo cansaço da espera de uma resposta. O brilho dos olhos passou tão rápido quanto a estrela cadente, apressada, que não espera por um pedido, e nem espera ser notada. A cor monótona do cotidiano passou a pintar o céu. Os olhos ainda esperam pelo dia em que verão as cores do arco-íris caírem feito aquarela, colorindo o céu. Enquanto esse dia não chega, ela prepara um chá.


Luciana Marinho, abril 2017.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Insônia e desimportância

A noite, Quimera que devora,
Faz ruir o sono,
Abortando qualquer sonho
Que a esperança fosse trazer.

Um amargo redemoinho
De pensamentos e preocupações
Destrói o ninho de confiança,
Torna etéreas as boas recordações.

Intangível tranquilidade
Que repousa tão distante...
Quisera eu tal habilidade
De simplesmente seguir adiante.

Jejels, 11/04/2017.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Pensamento esperançoso

Que maravilhoso pôr-do-sol seria
Meu olhar no seu que derreteria
Em ternura no calor de um reencontro
Num conto de uma aventura de amor...


Jejels, novembro 2016.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lembrança de um beijo

Nos teus olhos, um universo
Infinito e desconhecido,
Veloz meteorito
Em rota de colisão ao meu peito.
Feito o destino,
Expande em novo verso
A unidade de um amor...
Nova galáxia nasce com furor.


Jejels, dezembro 2016.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Saudade

Em um ponto se resume minha presença,
Minha existência silencia
Encerrada com cadeado em sentença
De que a companhia que eligi não me acompanha
E todos os outros que me rodeiam
São apenas algo que me recorda
A ausência e a demora.


Jejels, novembro 2016.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Mais uma vez

Mais uma vez sozinha
Num canto escuro, a cama
Parece cada vez mais vazia.

Sinto meu corpo diminuir
Secando a cada lágrima desconsolada
Sabendo que ninguém vai ouvir.

A noite cai sobre mim
Com as lembranças do que foi
O dia que chegou ao fim.

Potenciais que não se realizaram,
Cores que não coloriram,
Sorrisos que se calaram.

A esperança que se quebra
Em estilhaços minúsculos
Que a noite dispersa.

Mais uma vez sozinha
Num canto escuro, a alma
Padece cada vez mais vazia.


Jejels, 03/02/2017.