quinta-feira, 27 de abril de 2017

Do esmorecimento de cada dia (que contagia meu coração)

As palavras que nascem em meu peito e escorrem pelos dedos são solitárias e cansadas. Dia após dia, as horas e compromissos parecem se repetir e o tempo esmaga meus desejos coloridos e cheios de vida. Ao fim do dia, tudo parece se resumir à mesma pilha de acontecimentos cinzentos e monótonos e pesa sobre minha cabeça tudo aquilo que quis ser, mas não foi. Os momentos em que subo à superfície para ver a magia das estrelas e a alegria de um sorriso espontâneo tornam-se escassos e cada vez mais longe do que seria o mínimo suficiente. Ao chegar com as costas tensas de carregar as responsabilidades do dia-a-dia, falta a única coisa que me faria realmente respirar e conseguir aliviar o cansaço e a dor. Falta a única coisa que finalmente acreditei que teria. Falta a única coisa que cessaria a decepção e o desânimo que me perseguem a cada noite...
Mas ninguém entenderia.



Jejels, 26/04/2017.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Fadiga

Ondas azuis que transpiram
De movimentos cansados e descendentes
Energia que desvanesce, e suspiram
Meus olhos descrentes e opacos.

Impacto dos dias que se amontoam,
Maciços golpes de rotina,
Voam semanas em tempo despedaçado,
Solitário suspiro descompassado.

As ternas lembranças da paixão
Tornar-se-hão apenas pensamento;
O fio de esperança no presente lamento,
Suporta meu corpo já sem intento.


Jejels, 26/04/2017.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Um texto diferente

E aos poucos, o que já era efêmero, foi se esvaindo. O feixe de fumaça branca que sonhava ser desenho no ar, se extinguiu. O interesse foi se desgastando, conferindo a qualidade, novamente, de desconhecido a algo que queria ser descoberto. O agito de contatar algo novo foi tomado pelo cansaço da espera de uma resposta. O brilho dos olhos passou tão rápido quanto a estrela cadente, apressada, que não espera por um pedido, e nem espera ser notada. A cor monótona do cotidiano passou a pintar o céu. Os olhos ainda esperam pelo dia em que verão as cores do arco-íris caírem feito aquarela, colorindo o céu. Enquanto esse dia não chega, ela prepara um chá.


Luciana Marinho, abril 2017.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Insônia e desimportância

A noite, Quimera que devora,
Faz ruir o sono,
Abortando qualquer sonho
Que a esperança fosse trazer.

Um amargo redemoinho
De pensamentos e preocupações
Destrói o ninho de confiança,
Torna etéreas as boas recordações.

Intangível tranquilidade
Que repousa tão distante...
Quisera eu tal habilidade
De simplesmente seguir adiante.

Jejels, 11/04/2017.